Gabriela Pugliesi Conta O Segredo Para Perder calorias

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Além da superfície de imagens fofas e curtidas, a web cultiva o ódio. Rede narcísica, estimula um novo personagem: o troll. É aquele usuário que provoca e enfurece outras pessoas, com comentários injustos, ignorantes e, várias vezes, criminosos. http://blogwebdemundogamer9.diowebhost.com/11435459/o-guia-passo-a-passo-pra-montar-um-funil-de-vendas-no-facebook objetivo do troll é causar a ira dos outros internautas — e, se possível, receber um dinheiro de modo fácil. Os trolls se alimentam da atenção que atraem e se valem de cada coisa para tal.


Talvez, sendo assim, esta reportagem possa não ser uma boa ideia, mas pelo fato de que temos que tratar sobre isto esse novo Kevin. É um monstrinho digital à moda do protagonista da escritora americana Lionel Shriver. O Kevin, de Shriver, é aquela moça mimada que aprende que a dureza é um segredo aceitável e descomplicado pra comprar o que quer. O Kevin digital o emula nas redes sociais e, principalmente, em fóruns privados de conversa. A internet nasceu como pátria do livre curso de informações. Se você não domina como enrolar o cabo do fone de ouvido para que caiba pela caixinha original, uma pessoa pela internet explica. Se quer localizar qual a desculpa para tomar cloreto de magnésio, surgirá quem prometa equilíbrio e vigor a cada colherada. Se você disser, todavia, que está sofrendo com a depressão, haverá quem tentará incitá-lo a se matar.


Os psicólogos definem tal comportamento como efeito de desinibição on-line, no qual fatores como anonimato, invisibilidade, solidão e inexistência de autoridade eliminam os costumes que a sociedade criou milenarmente. Por meio de telefones celulares inteligentes, tal desinibição está se infiltrando no dia a dia de todos. No mundo digital, troll era primeiramente o processo de pesca em que ladrões on-line usam iscas — uma imagem fofa ou possibilidade de riqueza — para localizar vítimas.


A palavra se origina de um mito escandinavo que vive nas profundezas. Passou a simbolizar assim como os monstros que se escondem pela escuridão da rede e ameaçam as pessoas. Os trolladores da internet têm um tipo de manifesto, em que destacam que agem para o “lulz”, a zoeira, numa tradução livre.




O que os trolls fazem pela busca do “lulz” vai de brincadeiras inteligentes — como os memes da tomada de 3 pinos — a assédio e ameaças violentas. Os trolls estão transformando as redes sociais e painéis de comentários em um gigante recreio de jovens malcriados, repetindo epítetos raciais e misóginos, definiu uma reportagem recente da revista Time.


Uma pesquisa que a publicação cita descreveu que sete em cada dez jovens sofreram um tipo de assédio por meio da internet. Um terço das mulheres já se citou perseguida on-line. Um estudo de 2014 publicado no periódico de psicologia Personality and Individual Differences constatou que 5% dos usuários da internet que se identificaram como trolladores obtiveram pontuação muito alta em traços obscuros de personalidade: narcisismo, psicopatia, maquiavelismo e, principalmente, sadismo. http://treinoeficiente60.beep.com/.htm?nocache=1530670810 /p>

E não pense que isto não ocorre na sua vizinhança. Ao responder o telefone, o analista de sistemas Ricardo Wagner Arouxa, de vinte e oito anos, achou que teu pai havia morrido. A caminho do serviço, no bairro carioca da Tijuca, recebeu a ligação desesperada de sua mãe. Naquele dia, 27 de dezembro de 2017, teu pai se recuperava de um cateterismo exercido depois de sofrer o terceiro infarto. Pensou no pior ao perceber a mãe aos prantos.


Ela demorou a recuperar-se para esclarecer o pretexto da angústia: a Polícia Civil havia invadido a residência da família em Pilares para o efetivação de um mandado de pesquisa e apreensão. Estavam prestes a arrombar a porta da residência no momento em que ela voltava do hospital, ainda sem o marido, que fora mantido internado. Quando Arouxa conseguiu surgir em residência, a polícia já havia recolhido seus computadores, smartphones e discos exigentes — até hoje não devolvidos. A explicação da operação policial seria uma ameaça de bomba, possivelmente feita por Arouxa.


Os alvos seriam a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro e o advogado Rodrigo Mondengo. Ambos haviam processado Arouxa. De anônimo, Arouxa quase se tornou réu da acusação de terrorismo. Na realidade, ele sofria por ter se tornado um dos alvos da superior quadrilha de crimes de ódio da internet brasileira, que hoje se articula por intermédio de fórum de discussão que tenta se conservar anônimo.


Chamado Dogolachan, o fórum foi elaborado por Marcelo Valle Silveira Mello — a primeira pessoa condenada por racismo pela internet no Brasil — e Emerson Eduardo Rodrigues. A Polícia Federal considera Mello e Rodrigues os grandes articuladores da maior rede de ódio que atua há ao menos uma década no Brasil, usando ferramentas digitais. Eles chegaram a ser presos na Operação Intolerância, em 2012, todavia se livraram por causa de havia, naquela altura, vácuo na legislação brasileira para crimes cometidos pela web. http://treinofirmeblog6.iktogo.com/post/como-organizar-o-feed-do-instagram do Marco Civil da Internet (2014) e da Lei Antiterrorismo (2016), os ataques reiterados articulados pelo grupo só podiam ser enquadrados em crimes contra a honra ou injúria racial, como por exemplo. Integrantes do Dogolachan registraram o portal Rio de Nojeira, que publicava textos de cunho racista, machista e homofóbico, no nome de Ricardo Wagner Arouxa, usando seus detalhes pessoais. Quem chegava ao registro da página, feito propositalmente de forma pública, tinha acesso a infos privadas do carioca, como seu telefone e endereço.


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